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Brasil Fenício - GENI DUBAUSKAS: Revista Dhâranâ
“Há uma diferença muito sensível entre perceber e entender a verdade.
Podemos percebê-la com o coração e entendê-la com o cérebro. Ou melhor,
podemos sentir a verdade intuitivamente e examiná-la intelectualmente.
Se os que vivem neste século cultivassem a faculdade de perceber a ver-
dade com o coração, examinando depois, por meio da inteligência, o que
sentiram, muito breve teríamos por toda parte uma condição melhor e
mais feliz da nossa sociedade. Porém, a desgraça de nossa época consiste
em que as faculdades intelectuais foram elevadas ao último extremo de seu
poder de resistência, para as formas exteriores das coisas, sem perceber
seu caráter espiritual, por meio do poder da intuição.”
Henrique José de Souza
Quem foram os fenícios?
A Fenícia foi uma civilização que se desenvolveu ao norte da antiga Canaã1
, região que
corresponde ao atual Líbano, parte da Síria e Norte de Israel. Os fenícios ocupavam uma es-
treita faixa de terra entre o mar mediterrâneo e as montanhas do Líbano, onde o solo era pe-
dregoso e pouco adequado para a agricultura. No entanto eles se beneficiaram das grandes
florestas de Cedro, uma madeira leve e resistente, ideal para a construção de navios. Graças
a essa vantagem natural, os fenícios se tornaram excelentes comerciantes e navegadores da
antiguidade, estabelecendo rotas marítimas por todo o mediterrâneo e além.
Os fenícios não formavam um Estado unificado, mas sim uma confederação de cida-
des-estado independentes, cada uma com seu próprio governo, cultura e religião. Por isso,
eles não tinham um nome comum para se referir à sua terra ou ao seu povo. Geralmente,
eles eram chamados pelo nome de sua cidade de origem, como Tiro, Sidom ou Biblos. Alguns
estudiosos acreditam que eles se denominavam cananeus, o mesmo nome dos habitantes
originais da região.
Mapa da Fenícia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Fenícia#/media/Ficheiro:Phoenicia_map-pt.svg
Uma das maiores contribuições dos fenícios para a humanidade foi a invenção do
alfabeto fonético, que consistia em 22 sinais representando os sons da fala. Esse sistema de
escrita facilitava a comunicação e o registro de informações, além de ser facilmente adaptá-
vel a outras línguas. O alfabeto fenício é considerado o ancestral de todos os alfabetos mo-
dernos, tendo influenciado os sistemas de escrita grego, latino, árabe e hebraico.
Dentre os fenícios encontramos algumas personalidades de destaque como Pitágo-
ras, cujo pai era um comerciante fenício da cidade de Tiro. Pitágoras passou a infância em
Samos embora tenha viajado bastante com seu pai; ele foi treinado pelos melhores pro-
fessores, alguns deles filósofos. Tocava lira, aprendeu aritmética, geometria, astronomia e
poesia. Existem relatos de Mnesarchus, pai de Pitágoras, retornando a Tiro com Pitágoras,
sendo ele ensinado pelos caldeus e eruditos da Fenícia e iniciado nos “Antigos Mistérios”
dos Fenícios c. 548 a.C., tendo estudado por cerca de três anos nos templos de Tiro, Sidon e
1. Canaã correspondia à área atual de Israel, da faixa de Gaza, da Cisjordânia, do Líbano e de parte sul do
litoral da Síria, junto ao mar Mediterrâneo.
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Biblos. Não podemos deixar de destacar também o Rei Hiram, Hiram
Afib e a rainha Gezebel que são citados na Bíblia, a Rainha Dido, que
fundou Cartago e o filosofo e matemático Tales de Mileto, considera-
do por alguns como pai da ciência e da filosofia ocidental.
Constituição política da Fenícia
A Fenícia era formada por um conjunto de cidades-estado au-
tônomas, cada uma com seu próprio rei e leis, sendo as principais Si-
don, Tiro e Biblos. Essas cidades se destacaram por sua importância
histórica, cultural e comercial na região do Mediterrâneo Oriental.
Sidon
Sidon foi uma das primeiras e mais importantes cidades fení-
cias. Segundo a Bíblia, foi a primeira casa dos fenícios na costa de Ca-
naã. Homero2
, poeta épico da Grécia Antiga, elogiou seus habitantes
pela especialização no fabrico do vidro e de tecidos de cor púrpura. Foi
a cidade-mãe de Tiro.
A cidade também teve um papel relevante na história bíblica e
cristã. Jesus Cristo visitou a costa de Tiro e Sidon e muitas pessoas se
aproximaram para ouvi-lo3
. O navio que conduziu Paulo de Tarso para
Roma atracou em Sidon depois de deixar Cesareia4
.
Ao longo da história foi conquistada por diversos povos como
filisteus, assírios, egípcios, gregos e romanos. Foi saqueada diversas
vezes durante as Cruzadas, foi destruída pelos sarracenos (1249), pe-
los mongóis (1260), ficou sob domínio do Império Otomano (século
XVII), foi tomada pelos egípcios (século XIX), pelos britânicos durante
a Primeira Guerra Mundial e tornou-se protetorado dos franceses de-
pois da guerra. Hoje é a terceira maior cidade do Líbano5
.
Tiro
Uma das primeiras metrópoles fenícias, Tiro é uma das mais antigas cidades conti-
nuamente habitadas do mundo e a quarta maior cidade do Líbano. É o lendário berço de
Europa e seus irmãos Cadmo, Cílix e Fênix, filhos do Rei Agenor. Na mitologia grega, Europa
foi raptada por Zeus, que se disfarçou de touro para que sua esposa Hera não percebesse.
O Deus levou Europa para Creta e Cadmo, na sua jornada de busca pela irmã, fundou Tebas.
Pitágoras
https://upload.wikimedia.org/wikipe-
dia/commons/1/1a/Kapitolinischer_
Pythagoras_adjusted.jpg
Arco do Triunfo, Tiro
https://upload.wikimedia.org/
wikipedia/commons/thumb/a/a5/
Tyre_Triumphal_Arch.jpg/800px-
-Tyre_Triumphal_Arch.jpg
2. Homero (928 a.C. - 898 a.C.), poeta épico da Grécia Antiga, autor da Ilíada e da Odisseia.
3. Bíblia Sagrada. Mateus 15:21-28.
4. Bíblia Sagrada. Atos dos Apóstolos 27:3-4
5. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Sídon
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O r i g i n a l m e n t e ,
Tiro consistia de dois cen-
tros urbanos distintos: a
própria Tiro, que ficava
numa ilha próxima ao mar,
e a velha Tiro, no conti-
nente. A atual Tiro cobre
hoje grande parte da ilha
original e da calçada cons-
truída por Alexandre, o
Grande (332 a.C.) com as
ruínas da antiga Tiro con-
tinental para a conquistar.
No ano de 960 a.C.,
Tiro tornou-se a cidade dominante da Fenícia. Tiro é considerada patrimônio mundial cultu-
ral, segundo a Unesco, devido aos vestígios arqueológicos, principalmente da época romana,
incluindo banhos, uma estrada com colunas, um arco triunfal, um aqueduto e um hipódro-
mo.6
Biblos
A cidade de Biblos ou Gubla era famosa por ser a cidade mais antiga do mundo, segun-
do o historiador Fílon de Alexandria, sendo ocupada primeiramente em 8000 a.C. O nome de
Bíblia significa rolo ou livro e, provavelmente, recebeu o nome da cidade de onde o papiro
egípcio era exportado para a Grécia.
Biblos foi a primeira cidade a tornar-se um centro predominante, de onde os fenícios
saíam para dominar as rotas comerciais do Mediterrâneo e do mar Vermelho. A primeira
inscrição do alfabeto fenício foi encontrada no sarcófago de Airã, um rei fenício de Biblos por
volta de 1000 a.C.
No período romano era um centro de adoração a Adônis. No império Bizantino cres-
ceu rapidamente, pois lá se estabeleceu um lugar episcopal. Biblos também foi importante
na época das Cruzadas, sendo uma base militar, e ainda hoje observa-se os imponentes res-
tos do castelo cruzado no seu centro. Posteriormente fez parte do Império Otomano.
A economia fenícia: excelentes comerciantes marítimos
Devido ao solo fenício ser pouco propício para a agricultura, sua principal atividade
econômica tornou-se o comércio, que consequentemente os obrigou ao desenvolvimento
de técnicas de navegação marítima e de tecnologia naval, tornando-os excelentes comer-
ciantes marítimos.
Eles importavam e exportavam mercadorias como cerâmica, joias, armas, perfumes.
Em suas oficinas artesanais se dedicavam à metalurgia, à fabricação de vidro e ao princi-
pal produto, que eram os tecidos tingidos de púrpura. Estes tecidos eram tão famosos que
6. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Tiro
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Reprodução da cidade de Tiro com suas muralhas
Imagem: https://alexandrei0n.wordpress.com/2018/10/08/siege-of-tyre/
o povo que os
comercializa-
va era chama-
do de fenícios
(phoinikes) pe-
los gregos, que
quer dizer púr-
pura.
A púrpura de Tiro
A púrpura tíria foi considerada o pigmento mais caro
da antiguidade por ser uma cor muito difícil de se fabricar.
Esse corante era extraído de várias espécies de caramujos
marinhos, envolvendo a coleta de milhares moluscos para
produzir uma pequena quantidade. Alguns viviam em ro-
chas, mas os maiores, Murex, ficavam a profundidades de 45
metros no mar Mediterrâneo. De 12 mil conchas conseguiam
apenas 1,4 gramas, o que dava para tingir apenas as bordas
de uma única peça. Mas o corante era tão maravilhoso, e
produzia uma cor tão exuberante que não desbotava ao sol,
pelo contrário, ficava ainda mais vívido. Portanto o seu preço
era maior do que ouro e prata. Esses elevados custos trans-
formavam os produtos têxteis que utilizavam a púrpura tíria
em símbolos de status.
Na antiguidade existiam leis que proibiam cidadãos comuns de obter determinados
alimentos, roupas ou mercadorias. Na Roma antiga, por exemplo, existia uma lei que proibia
o uso de roupas tingidas com a púrpura de Tiro, sendo permitido apenas para a elite. Nero
chegou a punir com a morte o seu uso.
Fenícios, os maiores navegadores da antiguidade
Os fenícios foram os maiores navegadores da antiguidade e dominaram o Mediter-
râneo, implantando grandes inovações na tecnologia naval, mais avançadas do que todas
as culturas que cercavam o Mediterrâneo. As mais importantes são a quilha, o calafeto e o
birreme.
Foi deles a ideia de construir um navio a partir de um esqueleto posto numa doca
seca, a partir da quilha central, como se fosse uma espinha dorsal7
. A quilha é uma peça
estrutural das mais importantes para o funcionamento do barco, permitindo o ganho de
Rotas comerciais dos fenícios
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/7/78/Rutas_comerciales_fenicias-pt.
svg/1024px-Rutas_comerciales_fenicias-pt.svg.png
Imagem: ilustração da autora
7. Fonte: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/historia-fenicios-mercadores-antigui-
dade-mediterraneo-cartago-tiro-comercio.phtml
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velocidade, estabilidade e reforço ao casco. É
como a espinha dorsal do barco. Essa estrutura
é fundamental para que todas as demais peças
fiquem alinhadas em seu devido lugar e para
que o casco tenha o reforço necessário.
Calafetar é uma técnica de vedação utili-
zada para impedir a passagem de líquidos ou de
ar entre as tábuas do casco do navio. Para tal os
fenícios utilizavam betume, uma substância ex-
traída do petróleo e resistente à água, para ve-
dar a entrada de água entre as tábuas de seus
navios.
Os navios de guerra usados pelos
romanos e gregos eram basicamente uma
criação fenícia. Foram os fenícios que ti-
veram a ideia de distribuir os remadores
em duas linhas, criando a birreme. Os na-
vios de guerra tinham uma popa convexa,
eram impulsionados por uma grande vela
quadrada, num único mastro, e dois ban-
cos de remos (um birreme). Com o birre-
me os remadores extras davam velocida-
de em manobras de abalroagem, ou seja,
bater em outro navio para afundá-lo, que
se tornou a principal forma de guerra na-
val na época.
Os navios dos fenícios também fo-
ram os primeiros a ter leme, o mecanis-
mo que controla a direção das embarca-
ções, desviando o fluxo de água.
Com toda essa tecnologia naval eles conseguiram navegar distâncias tão grandes que
foi necessário desenvolver colônias, que atuavam como entrepostos comerciais.
A principal colônia foi Cartago, que se situava onde hoje é a Tunísia. A cidade se de-
senvolveu a partir de uma colônia fenícia para a capital de um Império Púnico que dominou
grande parte do sudoeste do Mediterrâneo durante o primeiro milênio a.C., rivalizando com
Roma, o que deu origem às guerras púnicas.
A lendária rainha Alyssa ou Dido é considerada a fundadora da cidade. Segundo a
tradição, Siqueu, seu marido, foi assassinado por Pigmalião, irmão de Dido, para se apoderar
de seus tesouros. Dido foge da tirania de seu irmão e carregou em segredo os tesouros de
Siqueu em navios, acompanhado por nobres descontentes, que eram seus partidários. Os
Navio fenício-púnico, de uma escultura em re-
levo descoberta em sarcófago do século II a.C.
(crédito: www.ancient.eu)
Imagem: http://historia.atlasvirtual.com.br/fenicia.php
Armada de birremes
https://pt.wikipedia.org/wiki/Birreme#/media/Ficheiro:Greek_Galleys.jpg
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emigrantes se dirigiram para a África, onde foram bem recebidos pelos nativos, e fundaram
a cidade de Cartago.8
Fenícios, os criadores do alfabeto
O romano Plínio, o Velho, creditou aos fenícios várias
invenções como a do comércio, sendo eles os primeiros cai-
xeiros-viajantes. Por precisarem de um método eficiente de
manutenção dos registros comerciais, eles inventaram um
alfabeto do qual descendem os alfabetos do mundo.
O alfabeto fenício é um abjad, composto por 22 sím-
bolos. Um abjad, também conhecido como consonantário,
é um sistema de escrita no qual os símbolos das letras re-
presentam as consoantes e as vogais são acrescidas quando
lidos.
O alfabeto fenício foi precursor das escritas etrusca, latina, grega, árabe, hebraica e
siríaca, entre outras. Também como fonte de escritas Kharoshthi e Brahmi na Índia.9 Assim
podemos observar a sua influência nas localidades onde realizavam suas transações comer-
ciais.
A inovação do alfabeto fenício está em sua natureza puramente fonética, na qual
cada símbolo representa um som, que exige a memorização de apenas alguns caracteres,
diferentemente de outras formas de escrita da época em que caracteres eram utilizados para
representar palavras, fazendo necessário milhares de caracteres, como no caso dos chineses
e japoneses, que exigiam alta especialização para serem aprendidos.10
Representação artística de Cartago no seu auge
Imagem: https://pt.wikipedia.org/wiki/Cartago#/media/Ficheiro:Carthage_Natio- nal_Museum_representation_of_city.jpg
A escrita fenícia
https://cdn.britannica.com/74/214974-004-
B1E18975.jpg
8. https://pt.wikipedia.org/wiki/Cartago
9. https://phoenicia.org/alphabet.html
10. https://pt.wikipedia.org/wiki/Alfabeto_fenício
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Conexões fenícias
Os fenícios e os reis da Judeia sempre tiveram uma
relação próxima. Hirão, rei de Tiro, foi contemporâneo
dos reis Davi e Salomão. Além de serem excelentes arqui-
tetos e construtores, os fenícios foram responsáveis pela
construção do templo de Jerusalém durante o reinado de
Salomão.
Quando Davi foi constituído rei de Israel, Hirão en-
viou mensageiros com madeira de cedro, carpinteiros e
pedreiros que construíram uma casa para o Rei David. No
reinado de Salomão, o rei de Tiro também manteve boas
relações comerciais com Israel, e, em acordo comercial
com Salomão, recebeu várias cidades em troca da provi-
são de ouro e pela madeira que serviu para a construção
do templo.
Salomão chegou a dar 20 cidades para
Hirão, mas estas não o agradaram por serem
arenosas e improdutivas, denominadas de
Terras de Cabul11. Estas cidades ficavam en-
tre a fronteira de Fenícia com a Galileia. Elas
foram uma garantia para a provisão de qua-
tro toneladas e meia de ouro para constru-
ção do Templo de Salomão. Após vinte anos,
estas terras foram restituídas a Salomão.
Para apoiar na construção do tempo
de Salomão, o rei Hirão mandou um grande
mestre de obras e artífice, chamado Hiram
Abif, para que esse embelezasse o Grande
Templo12. Hiram Abiff teria sido abordado
três vezes para revelar um segredo na cons-
trução do templo, e teria dito: “Perco minha
vida, mas não revelo os segredos”. Em cada
uma das vezes ele teria sido ferido e na ter-
ceira vez foi morto. No dia seguinte Salomão
teria mandado procurar por Hiram e seu cor-
po é encontrado embaixo de um pé de acá-
cias.13
Alfabeto fenício e hebreu, segundo Bernardo
de Azevedo da Silva Ramos
Fonte: In Inscrições e tradições da América pré-his-
tórica especialmente do Brasil, página 34, de Ber-
nardo de Azevedo da Silva Ramos
Salomão e o plano para a
construção do Primeiro Templo
Imagem https://pt.wikipedia.org/wiki/Salomão
11. I Reis 9:13
12. I Reis 7:13 - 51
13. https://pt.wikipedia.org/wiki/Hirão_I
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Com toda essa tecnologia naval e conexões importantes, os fenícios teriam tido con-
dições de ter chegado ao Brasil antes de Pedro Álvares Cabral?
Ludwig Schwennhagen, um austríaco naturalizado brasileiro, acredita que sim. Ele foi
um professor de História e Filologia no Nordeste do Brasil, além de escritor e proponente da
Teoria da presença de fenícios no Brasil, no seu livro Antiga História do Brasil – de 1100 a.C.
a 1500 d.C. coloca o primeiro descobrimento do Brasil em torno de 1100 a.C., devido ao fato
de em 1008 a.C. os fenícios terem oferecido ao Rei Davi da Judeia a aliança para exploração
da Amazônia. As evidências dessa chegada ao Brasil se encontram na obra de Diodoro. Como
grego, não era amigo dos fenícios e cartagineses, mas reconheceu o valor dessas nações
navegantes.
Diodoro da Sicília ou Diodoro Sículo foi um historiador grego
que viveu no século I a.C. Ele esteve no Egito, viajou para Roma e
consultou diversos arquivos e registros disponíveis na época. Produ-
ziu uma única obra em grego, a Biblioteca Histórica, com 40 livros,
sendo que somente os livros 1, 5 e 11-20 sobreviveram, praticamen-
te na íntegra; dos outros, restam apenas alguns fragmentos. Nos ca-
pítulos 19 e 20 do 5o livro, ele menciona a viagem de uma frota de
fenícios que teria saído da costa da África, perto de Dakar.
Diodoro escreve sobre uma frota fenícia que saiu da região
de Dakar na África, seguindo ao sul, ao longo da costa da África, e
que sofreu violenta tempestade levando-os ao alto mar. Perseguin-
do a correnteza descobriram uma grande ilha com praias lindas,
com rios navegáveis, muitas terras no interior, clima ameno, imen-
sas florestas, abundante em frutas, caça e peixe, e com população
amistosa e inteligente.
A chegada dos fenícios ao Brasil
Diodoro
https://pt.wikipedia.org/wiki/
Diodoro_Sículo
Primeiro Descobrimento do
Brasil, segundo Diodoro
Imagem: Ilustração da autora
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Eles provavelmente foram parar na corrente marítima Sul Equatorial, que os trouxe
até o Brasil. As correntes marítimas são movimentos de grandes massas de água que fun-
cionam como verdadeiros rios dentro dos oceanos e os teria levado à costa brasileira, entre
Pernambuco e Bahia. Esta rota teria sido a mesma que Pedro Álvares Cabral teria tomado
2.600 anos após para chegar ao Brasil.
Depois de andarem muitos dias nas costas dessa ilha, voltando ao mediterrâneo con-
taram a boa nova aos tirrenos (etruscos) – parentes e aliados de Tiro – que resolveram man-
dar também uma expedição à mesma ilha e fundar uma colônia lá. A partir deste momento
iniciaria a história dos fenícios no Brasil.
Diodoro também fala da viagem de uma frota cartaginesa na costa da África até o
golfo da Guiné, confirmando indiretamente o primeiro descobrimento do Brasil. Essa frota
consistia de 50 navios cargueiros com 30.000 pessoas a bordo para fundar colônias no su-
doeste da África, mas não obtiveram sucesso, pois as condições do país eram tão selvagens
que foram obrigados a retornar. Os cartagineses, rivais de Tiro, invejavam o domínio tírio do
continente brasileiro e desejaram criar domínio igual no sul da África.
Parvaim, Ofir e Tarschichi
Don Enrique Onffroy de Thoron foi um aristocrata francês que estudou a língua dos
povos indígenas do Peru e viajou pelo mundo antes de se estabelecer na América do Sul. Ele
conhecia latim, grego, hebraico, tupi e quíchua. Em 1876 ele publicou em Manaus um trata-
do sobre as misteriosas viagens da frota de Salomão, onde procurou mostrar, por meio da
filologia e da linguística, a passagem de navegadores fenícios e hebreus no Amazonas.
Salomão e o Rei Hirão de Tiro possuíam uma grande amizade. Com apoio do rei Hirão
de Tiro, enviava frotas a cada três anos para Ofir e Tarschichi para procurar ouro e pedras
preciosas. O fato de levar três anos nessa empreitada demonstraria que estas localidades
não eram no Mediterrâneo ou África como alguns autores podem supor, mas sim em um
local bem mais distante.
Templo de Salomão, construído
com o ouro de Ofir
Imagem:https://brasil.elpais.
com/brasil/2018/03/09/al- bum/1520609572_663984.html#foto_
gal_1
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Na Bíblia encontramos registros dessas viagens, como no trecho de Crônicas 8:18,
que cita que Hirão mandou para Ofir seus servos, navios, e servos práticos do mar, junto
com os servos de Salomão, e tomaram de lá quatrocentos e cinquenta talentos de ouro; e os
trouxeram ao rei Salomão.
Mas onde se situariam as localidades bíblicas Parvaim, Ofir e Tarschichi de onde vinha
o ouro que era trazido para Salomão? Segundo estudos de Thoron, publicados num livreto
Antiguidade da navegação do Oceano, viagens dos navios de Salomão ao Rio Amazonas,
Ophir, Tarschisch e Parvaim, estas cidades se situariam nas bordas do Amazonas.14
Parvaim é pronúncia alterada de Paruaim. Portanto, se referiria aos rios Paru e Apu
Paru, na bacia superior do Amazonas, no Peru, dois rios auríferos, que confundem depois
com o Ucayali, um dos nomes do Amazonas. Os dois rios de nome Paru fazem, no plural, o
Paruim, pois terminação hebraica “im” indica o masculino plural.15
Quando o Rei David morreu deixou a Salomão para
a construção do templo 7.000 talentos de prata e 3.000 de
ouro de Ofir. Em hebraico Ofir é escrito de dois modos: Apir
e Aypir, e, Aypira (Ophira), que é o nome mal pronunciado
de Yapurá, afluente do Amazonas. Com o tempo o nome foi
alterado para Japurá, afluente da margem esquerda do rio
Solimões. Segundo Thoron, apir na língua quíchua significa
mineiros e locais por eles cavados e o aypir, aypira ou Yapu-
ra indica que eles trabalham na água que faz lavagem do
ouro, demonstrando a influência do hebraico na região. Ofir
estaria situado no território brasileiro e colombiano, num
triângulo entre as montanhas Popayan e Condinamarca até
o lago Yumaguari, de outra parte pelo rio Ikiari até a monta-
nha aurífera de onde desce esse rio e pelo rio Japurá.
Com o tempo as viagens trienais a Ofir e Parvaim fo-
ram abandonadas devido às dificuldades da região e passa-
ram mais a oeste do rio Amazonas, em Tarschichi, na alta
Amazônia, onde hebreus e fenícios acharam ouro fino em
abundância. Na língua quíchua, origina-se de Tari, “desco-
brir”, chichy, “colher ouro miúdo”. Logo, Tarschichi é o lugar
onde se descobre e colhe o ouro miúdo.
Outro ponto destacado por Thoron seria em relação ao próprio nome do rio Soli-
mões, que teria sua origem no nome do sábio Rei Salomão, cuja forma popular era Solimão.
Em hebraico Salomão é Solima e em árabe Soliman. Com a chegado dos portugueses eles
teriam trocado o “n” final por “o” (Solimão) e depois por Solimões.
14. “Antiguidade da navegação do Oceano, viagens dos navios de Salomão ao Rio Amazonas, Ophir, Tards-
chisch e Parvaim”. Por Henrique Onffroy de Thoron https://ia800300.us.archive.org/10/items/Antiguidade-
DaNavegacaoDoOceano.ViagensDosNaviosDeSalomaoAoRioDas/onffroy-de-thoron-henrique-viagens.pdf
15. Investigando a localidade atual destes rios identificamos em gravuras antigas que o Rio Apu Paru se situa-
va no Pampa do Sacramento, Peru. Este pampa é uma planície limitada ao norte pelo rio Marañón, a leste
pelo Ucayali, a oeste pelo rio Huallaga e ao sul pelos rios Pozuzo e Mayo.
Possíveis localizações de Parvaim,
Ofir e Tarschi, segundo Thoron
Imagem: ilustração da autora
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Pedra da Gávea, um monumento fenício
Um grande estudioso da passagem dos povos da antiguidade no Brasil, Bernardo de
Albuquerque da Silva Ramos foi arqueólogo, linguista e numismata. Perdeu o pai ainda meni-
no, indo trabalhar na agência dos Correios da cidade. Exerceu diversos cargos públicos a par-
tir dos 21 anos, sendo eleito Intendente Municipal. Com seu poder aquisitivo e vontade de
aprender, ele viajou muito pela Europa e Oriente Médio, percorrendo a Palestina e o Egito.
Conhecia diversas línguas como a hebraica, a fenícia e o sânscrito. Foi fundador do Instituto
Geográfico e Histórico do Amazonas e inclusive há um museu de numismática, em Manaus,
com o acervo que foi organizado por ele.
A sua obra mais importante
é Inscrições e Tradições da América
Pré-Histórica. Nos dois volumes da
obra, o autor aborda a história an-
tiga, a linguística e as decifrações li-
tográficas da América pré-histórica,
com foco no Brasil.
Bernardo Ramos se aventu-
rou pelo Brasil, visitando diversas
litografias que incluiu em sua obra.
Um dos sítios mais interessantes que
sua obra contém, e que é muito co-
nhecido, é a Pedra da Gávea, o maior
monolito à beira mar do mundo e um
dos mais relevantes pontos turísticos
do Rio de Janeiro, com 842 metros
de altitude. É um local muito interes-
sante para montanhistas, mas não é
uma escalada fácil, havendo vários
relatos de mortes na empreitada.
Bernardo Ramos em seus estudos identificou na lateral da Pedra da Gávea algumas
escrituras que identificou como inscrições fenícias “TZUR FOENISIAN BADZIR RAB JETHBAAL”
e as traduziu: “Tyro Fenícia, Badezir, primogênito de Jethbaal”. Segundo ele, a escrita refe-
ria-se a Badesir.16
Em 1954 Henrique José de Souza, fundador da Sociedade Brasileira de Eubiose, retifi-
cou essa tradução, modificando o sentido da tradução anterior, interpretando a inscrição do
modo seguinte: “Yetbaal, Tyro Fenícia, primogênito de Badezir”. Portanto a inscrição referia-
-se a Yetbaal, primogênito de Badezir.17
Resumo das inscrições da Pedra da Gávea traduzidas por
Bernardo de Azevedo da Silva Ramos.
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/b/bf/Silva_Ra-
mos%2C_Pedra_da_Gavea%2C_interpretation.gif/1280px-Silva_Ramos%2C_
Pedra_da_Gavea%2C_interpretation.gif
16. Na sua obra Inscrições e Tradições da América, volume 1, capítulo XIV, Bernardo Azevedo da Silva Ramos
explica o método que utilizou para fazer esta tradução. O resumo da tradução das inscrições encontra-se na
página 436 do referido volume, destacando que a escrita fenícia se lê da direita para a esquerda.
17. Fonte: Brasil Fenício, Brasil Ibero-Ameríndio, de Henrique José de Souza
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O que teria acontecido para termos a Pedra da Gávea e as inscrições naquele local?
Segundo o professor Henrique José de Souza, o nome Brasil não se origina da cor
da madeira que tem o nome de “Pau Brasil”, e sim do nome do imperador fenício Badezir
(donde Basil ou Brasil). Como os fenícios já navegavam pelo mundo antigo já era conhecido
o nome de Badezir.
Badezir foi um rei que governou Tiro na Fenícia. Ele possuía oito filhos. Seu primogê-
nito Yetbaal-Bey era dotado de inteligência privilegiada, de um caráter nobre e portador de
excepcionais dotes espirituais. Por isso ele era conselheiro e predileto do rei. Pela proximida-
de de Yetbaal-Bey de seu pai ele era odiado pelos irmãos, que tramavam na corte a expulsão
do imperador e dos seus primeiros dois filhos.
Assim, ocorreu uma revolta na Fenícia e Badezir é desterrado e enviado para o Brasil
com seu filho Yetbaal-Bey e sua filha Yetbaal-Bel; oito sacerdotes, incluindo o Sumo-Sacer-
dote Baal-Zin18; dois escravos núbios fiéis; 222 pessoas da nobreza e 49 militares graduados
que permaneceram partidários do imperador em Tiro.
Chegando ao Brasil a comitiva de Badezir, dividiu-se em duas cortes: Badezir reinava
do Amazonas até Salvador na Bahia, região onde tinham o ouro e efetuavam comércio e Ye-
tbaal-Bel e Yetbaal-Bey governavam da Bahia até o Rio Grande do Sul.
Yetbaal-Bey e Yetbaal-Bel costumavam sair das proximidades da Pedra da Gávea,
atravessando a baía de Guanabara indo até Niterói.
Certa vez, ao fazerem a habitual travessia, ocorreu uma tempestade e a barca condu-
zida pelos escravos núbios naufragou em frente ao Pão de Açúcar, resultando na morte de
todos.
Imagens fenícias
https://phoenician.org/wp-content/uploads/2020/10/phoenician_images.jpg
Imagem: phoenician_images1
https://phoenician.org/wp-content/uploads/2020/10/monkeys-750.jpg
Imagem:monkeys-750
18. O nome Baal-Zin significa o deus da luz ou do fogo. Baal significa senhor. Badezir seria a fusão de Baal e
Esir.
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Badezir, com idade avançada não resistindo ao golpe sofrido pela morte dos seus
filhos, faleceu em seguida.
Seguindo as instruções prévias do imperador, Baal-Zin providenciou o embalsamento
do venerando corpo, o qual permaneceu ainda durante sete anos junto aos dos filhos no
interior da Pedra da Gávea.
Depois desse prazo, o corpo do imperador foi transferido para um Santuário localiza-
do em plena selva amazônica, onde permanece até os dias de hoje.
Um fato interessante é que quando os fenícios faleciam fora das terras deles eles
enterravam seus mortos perto das montanhas. Assim, na realidade, a Pedra da Gávea seria
uma esfinge fenícia.
O Rio de Janeiro teria outra esfinge fenícia que é Pão de Açúcar. Na sua lateral ve-
mos uma ave, que seria a representação de uma íbis, uma ave sagrada no Egito.
O controverso caso das ânforas da Baía de Guanabara
O mergulhador José Roberto Teixeira Coutinho encontrou duas ânforas na Baia da
Guanabara. Essas peças foram enviadas ao Smithsonian Instituto de Washington para a rea-
lização de uma análise e os especialistas concluíram que elas tinham mais de 2.000 anos e
seriam provavelmente ânforas romanas.
Com isso, Robert Frank Marx, americano, autoridade em arqueologia submarina, foi
chamado para investigar.
Nessa época, Américo Santarelli, italiano radicado no Rio de Janeiro, afirma que as
ânforas eram dele, que ele tinha colocado na Baia de Guanabara para envelhecê-las.19
Marx trouxe um especialista, Harold Hedgerton do MIT – Massachusets Institute of
Technology, que, utilizando um Side Scan detectou embarcações antigas submersas em lama
(sete metros de profundidade).
Detectaram uma embarcação portuguesa do século XVI e uma outra provavelmente
romana ou fenícia.
Marx tinha permissão da marinha para pesquisar, voltou aos Estados Unidos para
Imagem: ilustração da autora - A Esfinge da Pedra da Gávea imagem: ilustração da autora - Pão de Açúcar
19. Fonte: https://www.marinha.pt/Conteudos_Externos/Revista_Armada/1989/index.html#p=56
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pegar financiamento, pois o projeto seria muito caro, tendo que
cercar a área, retirar água, e ele tinha aval para fazer os estudos,
mas no meio do caminho ele perdeu esse aval e não conseguir
concluir os estudos. Ele acusou a marinha brasileira de ter coberto
a área com lama e a marinha o acusou de ser contrabandista de
artefatos históricos.20
Marx acusou o governo brasileiro de acobertamento.
No início de 1993, outros dois mergulhadores Raul Cer-
queira e Henrique de Brion21 fizeram um acordo com a Marinha
do Brasil, removeram a âncora do local, fizeram datamento com
carbono 14, confirmando sua origem do século 16.
Hoje a âncora encontra-se na Ilha de Mocanguê, uma
área restrita militar da Marinha, e as ânforas estão no Instituto
de Arqueologia Brasileira.
O fim da Pedra Santa
Para refletirmos mais sobre nosso passado temos o fim da Pedra Santa, que existia na
Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro.22
Dom João VI passava por ela quando ia ao Jardim Botânico e tinha medo de passar
por baixo dela, pois passava bem ao lado dela numa estradinha que havia sido feita para sua
passagem. Provavelmente ele se preocupava com a queda da pedra, pois ela ficava muito na
beira.
Em 1837 mandaram um tal padre Souto destruí-la, provavelmente ele seria o reve-
rendo Manuel Gomes Souto, empossado com a criação da freguesia de São João Batista da
Lagoa em 1809.
Este padre também chegou a solicitar ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro a
destruição da Pedra da Gávea, para acabar com as lendas do local.
Naquela época já existiam lendas tanto da Pedra Santa quando da Pedra da Gávea,
que provavelmente não foi destruída por seu difícil acesso. Quantas outras evidências da
passagem dos povos antigos pelo Brasil não foram destruídas acobertando nosso passado?
20. Fonte: A Roman Shipwreck in Rio de Janeiro? The Amphorae in Guanabara Bay. https://www.abovetop-
secret.com/forum/thread1042040/pg1
21. Mergulhadores: Hipótese de ânforas fenícias vale, O Globo, 28/3/1983, página 9
22. Fonte: http://cidadedorio.com/o-misterio-da-lagoa-a-pedra-santa/
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Imagem: https://alvorsilves.blogs.sapo.
pt/cunhas-com-outras-unhas-118711
Os professores Claro Calazans Rodri- gues e Ondemar Dias apresentando
as ânforas descobertas na Baía de
Guanabara em 1975
Aquarela de Robert Streatfeild intitulada Vista da Lagoa Rodri-
go de Freitas com a Pedra Santa e à esquerda o Corcovado
Imagem: https://www.viafanzine.jor.br/site_vf/arqueo/arqueologia3.htm
Concluindo
Há muito mais que poderíamos ter trazido para esse artigo em relação não só aos
fenícios, mas aos outros povos da antiguidade que por aqui passaram.
Espero que o pouco que foi tratado aqui tenha despertado a sua curiosidade e sirva
para pensar, pesquisar, buscar e descobrir a verdade do nosso passado e de tudo que o cer-
ca, pois a verdade não se modifica. Nós é que nos modificamos quando pesquisamos, pen-
samos e estudamos, pois passamos a ver outros lados daquela verdade.
A nossa história pode se tornar lenda, mitologia, ser desacreditada, mas também
pode ser confirmada, assim como foi Troia que por anos era considerada mito até ser reen-
contrada.
Precisamos conhecer a nossa história e tirar os véus que a acobertam, reconhecendo
a verdadeira grandiosidade de nosso passado e vislumbrando o nosso futuro promissor.
“A Verdade não se modifica: nós, sim, nos modificamos e por isso
se modifica para nós o aspecto da Verdade.”
Henrique José de Souza
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